Favela, onde a história se repete.

Um ano após a queda do helicóptero águia na Cidade de Deus e após o dia de zumbi que marca a resiliência do povo negro principalmente das periferias, a comunidade amanheceu com o helicóptero dando vôos rasantes com intensos disparos em diversas regiões principalmente na localidade da treze, próximo á região mais temida, o Karatê.

Dizer que é mole ou que somos coniventes por sermos moradores é muito fácil, difícil mesmo é ser acordado antes do seu horário habitual, ser impedido de sair ou entrar devido os disparos e nossas crianças perderem mais um dia de aula no final do ano letivo que por aqui já foi difícil concluir.  Pelo menos 2500 crianças ficaram sem aulas e muita gente teve dificuldade para chegar ao seu trabalho, porque além do clima de tensão a frota de ônibus foi REDUZIDA, já que em nenhum momento as avenidas principais, Miguel Salazar Mendes de Moraes e Edgard Werneck foram fechadas.

Logo após o mapeamento realizado pelo helicóptero, os policias civis da DAS (Divisão de AntiSequestro) e DAH (Divisão de Homicídios com comando da DPCA (Delegacia de Proteção da Criança e Adolescente), começaram as incursões para cumprir pelo menos 61 mandatos de busca e apreensão à MENORES na comunidade. O que nos faz repensar sobre os projetos sociais que visam informatizar, empoderar e oportunizar justamente crianças e adolescentes sem perspectiva alguma de vida, onde vêem à margem como caminho fundamental para seu crescimento pessoal.

Assim como em qualquer comunidade, a Cidade de Deus tem inúmeros projetos em sua grande maioria, projetos sociais que trazem a reflexão sobre violência, violação dos direitos humanos e racismo, que fica bem claro em dias como este, onde as histórias se repetem com a elevação das estastiticas de jovens negros, moradores de comunidade que são precocemente mortos por artefatos. É bem triste ver, que embora façamos o máximo, ainda é muito pouco para que possamos alcançar e impactar toda essa galera que muita das vezes, morre antes dos 30 anos.

Segundo informes, pelo menos quatro (4) pessoas não identificadas ficaram baleadas desde o início da operação; O clima sem sombra de dúvida, é bem tenso embora não haja mais relatos de tiros, helicóptero e fogos na região.

Hoje a oração/reza é para que a história também não se repita no número de óbitos que tivemos há um ano atrás e que possamos ter a dignidade de andar pela nossa favela.

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